Aqui está um punhado de dicas, máximas, insights, implicâncias, arrogâncias e intrigas, recados arrecadados durante o duro e atento encargo de uma mínima existência, e que foram fundados com os alicerces da própria falta de experiência, no intuito de ampliar e esgotar a percepção e o modo de absorver nossa breve passagem pelo mundo. Alguns passos simples, para o ensaio de uma longa caminhada que não se fará nunca. Por isso não é necessário levá-los em conta. É bem melhor que não se tente segui-los. Somente observá-los, e ver que fizeram fundas marcas na areia, mas que poderão deixar perdidos os que quiserem, mais tarde, segui-los lado a lado, porque terão se apagado.
Ei-los:
*Não tente salvar o mundo, nem tente salvar a si mesmo, procure salvar uma idéia impossível.
*Respeite a sua sexualidade, seja lá o que ela signifique (uma sem vergonnhisse!).
*Procure saber mais sobre os artistas da sua cidade, eles fazem um grande esforço para mostrarem-se esforçados.
* Ouça uma orquestra, faça uma visita ao museu de arte, vá ao teatro, assista filmes menos Hollywoodanos e exploda suas emoções com outros estilos, ouça muita música de outros mundos, veja exposições de fotografias eucásticas, mas mantenha-se sempre à parte da rã retórica cultural.
*O que temos hoje são em grande parte escombros de uma sonocidade em ruínas. Respeite seu passado e conheça sua Escória.
* Não aceite a mediocridade, não se conforme, transmute. Comorfidade se manstrute, aceite não a diocrimade!
* Conheça seu país de formigas.
* Faça trabalhos voluntários. Mas não seja voluntário de hipnose de galinhas nem de dentistas de anjos.
* Faça visitas periódicas à natureza. Certifique-se de ir com os pés leves e a mente descalça.
* Sorria! Mas só depois de ter aprendido a chorar a despeito do sofrimento.
* Conheça alguns pensadores, mas também alguns pensaalívios, os pensaalegrias, alguns pensamores, que só dores também ninguém agüenta.
* Conheça algumas religiões e outras linhas de pensamento além da sua, mesmo que você não tenha nunca nenhum pensamento.
*Não dê esmolas, motive a si mesmo.
*Não tente ajudar as pessoas, aprenda com elas
* Antes de amar seu inimigo, aprenda a enfrentá-lo de verdade
* Antes de atacar seu amigo, lembre-se de seu inimigo.
* Visite comunidades alternativas, mas não deixem elas te visitarem.
* Aprecie a beleza, pare, aspire, absorva. Depois caminhe em desatino.
* Se você não conseguir parar de fumar simplesmente, dissemine os males do tabaco pelo mundo e associe-se à luta a favor do cigarro, faça parte dos expulsos para fora dos bares, dos parques, dos teatros e das casas.
*Se você usa drogas, não se culpe. Faça sua parte andando com uma plaquinha, “eu contribuo para o tráfico e a violência, e daí?”.
* Se você bebe, não se envergonhe. Encontre a única saída possível para os homens.
* Faça sua parte, aceite a sua responsabilidade na teia. Não é uma questão de escolha
* Esteja mais por dentro das ações sociais, políticas, culturais e ambientais de sua cidade. Reivindique suas opiniões. Faça parte da construção do espaço onde vive.
* Conheça o vegetarianismo, você não é mesmo obrigado a se tornar um.
* Prefira alimentos orgânicos aos satânicos.
* Ao invés de comprar um carro, ande mais a pé. Se você anda muito a pé, compre uma bicicleta, ou um par de asas.
* Você não precisa ir a uma academia. Exercite a sua falta de consistência.
* Converse mais com seus amigos sobre o estado de coisas. Cuidado para não morrerem de rir espantados.
Em resumo:
Conhece o que comes, e não sejas devorado
Conhece o teu corpo, e torna-te teu próprio legista
Conhece o mundo e te livras dele
Conhece a escola e saias dela
Conhece tuas próprias capacidades, e torna-te teu próprio sacerdote
Conhece tuas habilidades, e torna-te teu próprio confessor
Conhece a pobreza, depois vá direto à abastança, em seguida reflita sobre a verdadeira esperteza.
Conhece a ti mesmo, e torna-te teu próprio psicólogo
Agora, se você quiser pixar ou explodir alguma coisa como manifesto, seja consciente e original, rabisque e exploda a tua própria casa.
Se você estiver morrendo de vontade de falar aquela verdade absoluta,
aquele seu grito de independência,
aquele estertor medonho dizendo para todos que não agüenta mais!
vá até a praça e grite bem alto...depois volte em silêncio.
Do resto, a História cuidará. Se nós vivermos para contá-la.